O Ibovespa encerrou a semana com alta de 1,4%, aos 128.450 pontos, em um movimento que surpreendeu parte dos analistas. A semana havia começado com cautela, após dados de inflação nos Estados Unidos mostrarem resistência acima do esperado. Mas a divulgação dos resultados do segundo trimestre dos grandes bancos brasileiros mudou o humor do mercado.

Bancos puxam o índice

Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil divulgaram resultados acima das estimativas do mercado. O Itaú reportou lucro líquido recorrente de R$ 10,2 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 14,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A inadimplência, que havia preocupado no início do ano, mostrou sinais de estabilização.

O Bradesco, que vinha de um ciclo de resultados mais fracos, surpreendeu com melhora na margem financeira e redução das provisões para devedores duvidosos. As ações BBDC4 subiram 4,8% na semana.

Commodities também contribuem

Vale e Petrobras, que juntas têm peso significativo no índice, também tiveram semana positiva. A Vale foi beneficiada por dados de produção industrial na China levemente acima do esperado, que animaram o mercado de minério de ferro. A Petrobras subiu com o petróleo, que voltou a operar acima de US$ 82 o barril.

O que o mercado está precificando

O movimento de alta reflete, em parte, a expectativa de que o Banco Central inicie o ciclo de corte da Selic no quarto trimestre. Essa expectativa foi reforçada pelo IPCA de junho abaixo do esperado e por declarações de membros do Copom sinalizando que a política monetária pode ser flexibilizada se a desinflação continuar.

Analistas alertam, porém, que o cenário externo ainda é incerto. A economia americana continua resiliente, o que pode atrasar os cortes do Federal Reserve e manter o dólar forte — o que, por sua vez, complica a tarefa do Banco Central brasileiro.