A regulamentação do crédito consignado para trabalhadores do setor privado entrou em vigor em julho de 2025. Explicamos quem tem acesso, quais são os limites e o que você precisa saber antes de contratar.
Durante anos, o crédito consignado — aquele em que as parcelas são descontadas diretamente do salário — foi privilégio de servidores públicos e aposentados. Para o trabalhador do setor privado, a única opção era o crédito pessoal, com taxas muito mais altas. Isso mudou em julho de 2025.
A regulamentação do consignado privado, prevista na reforma trabalhista de 2023, finalmente entrou em operação. Mas há regras específicas que você precisa conhecer antes de contratar.
Perguntas e respostas
Quem pode contratar o consignado privado?
Trabalhadores com carteira assinada (CLT) em empresas que aderiram ao sistema. A adesão é voluntária para as empresas, mas o governo criou incentivos fiscais para estimular a participação. Até julho de 2025, cerca de 12.000 empresas já haviam se cadastrado.
Qual é o limite de desconto no salário?
O desconto máximo é de 35% do salário líquido — sendo 5% reservados exclusivamente para despesas com cartão de crédito consignado. Isso significa que o trabalhador não pode comprometer mais de 30% do salário com parcelas de empréstimos consignados.
Quais são as taxas?
As taxas variam por banco e perfil do trabalhador, mas devem ser significativamente menores do que o crédito pessoal convencional. O Banco Central estima que as taxas do consignado privado fiquem entre 1,8% e 2,5% ao mês — contra 5% a 7% no crédito pessoal não consignado.
O que acontece se eu for demitido?
Essa é a principal diferença em relação ao consignado público. No caso de demissão, o saldo devedor pode ser abatido das verbas rescisórias. Se não houver saldo suficiente, o trabalhador continua devendo — mas sem o desconto automático em folha. O banco pode cobrar a dívida normalmente.
Vale a pena contratar?
Depende. Se você precisa de crédito e a alternativa é o cartão rotativo ou o crédito pessoal, o consignado privado é claramente mais barato. Mas se você está pensando em contratar para investir, faça as contas com cuidado: a taxa do consignado ainda é alta em termos reais.
O que os especialistas dizem
Economistas consultados pela Gazeta Econômica têm opiniões divididas. Os mais otimistas veem o consignado privado como um avanço importante na democratização do crédito. Os mais céticos alertam que a facilidade de acesso pode aumentar o endividamento das famílias sem resolver o problema estrutural das taxas de juros no Brasil.
O consenso é que o produto é bom para quem já tem dívidas caras e quer refinanciar a um custo menor. Para quem não tem dívidas, a recomendação é cautela.